nadar solo

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Dos años con esta ventana a mi lado. Admito que nunca había notado esta ventana. Para mí, ella no pasaba de una pared. A miraba y vía como sólamente una pared, sin necesitar de atención ninguna, pues basta usted mirar para pared una vez, para saber que ella estará allí y no irá a la lugar ninguno.


Es cliche, pero fue justamente un día lluvioso que compartimos por primera vez aquella ventana. No fue ningún acontecimiento Histórico, no hube fuegos y ni música. Fue algo simple y natural, como se te conociera hace años. Usted paró de mi lado y admiró conmigo, el olor de lluvia, el mundo cayendo en formas de gotas y el barulho de las ruedas girando en el asfalto mojado.


Desde entonces, pasé a compartir esta ventana con usted y todos los días a contemplaba. Asistiendo los cambios climáticos, el olor del cielo, las nubes en formas de Woody Allen y acompañar con los ojos, los coches yendo para algún lugar descrito en las canciones de Dylan.


Pero el más importante, es que vi que que el mundo no gira como la Tele muestra o como Bauman retrata en sus libros. El mundo gira para la dirección que queremos, para la dirección que discutimos…


No sé para donde usted fue, no sé con quien fue y no sé cuáles ideas posee ahora en su cabeza. Creo hasta que haya me olvidado, ya que usted es una astronauta así como yo.


Pero, estoy en el mismo lugar, viendo esta ventana, sintiendo tu falta y viendo el mundo girar sin usted.


Espero que esté bien y protegida del frío.


Gran beso.




Acidente

26 de junho de 2009



Sou lançado à 150 metros. Com meu rosto colado no granulado do asfalto, enfim conheço a sensação de ser atropelado por um carro à 90KM. No chão, vai-se tudo. Não importa o estado de seus sapatos ou seu próprio estado.


Aqui com a cara no piche, tenha a impressão que a cidade desacelera, as pessoas ficam devagar ao meu redor e os carros também, como se quisessem descobrir minha identidade ou saber se é alguém conhecido.


Me sinto importante com meu feito. Consegui parar os dois sentidos da Av. Ibirapuera atrasando centenas de vidas que passariam por este cruzamento em plena manhã.


Mas a sensação é passageira, logo lembro que não porto documentos e que simplesmente sou um corpo largado naquele chão, sem identificação e que muitas pessoas podem estar praguejando contra mim neste momento.


Em fração de segundos sou socorrido e levado ao hospital mais próximo da região. Penso em o que meus familiares pensarão e sentirão ao receberem a notícia (se receberem).


Mas não passo de mais um entre os cerca de 80 paulistanos que são atropelados diariamente nas ruas da metrópole.


Todavia, fui o único que escolheu uma terça-feira às 8:13 para me atirar na frente de um carro, me sinto tão especial…como no romance de Clarice Lispector.




Trem

31 de maio de 2009



Muitos aqui não sabem com o que se depararão na volta para casa.


Os que não tiveram tempo de se despedir da mãe, poderão não encontrá-la mais com vida.


O cachorro que tanto late morrerá, uma vez que com a pressa, esquecerão de alimentá-lo, assim como os peixes do aquário que passarão à boiar ao invés de nadar.


Sem ter tempo de assistir ou ler o periódico, perderemos a noção dos acontecimentos, se perdendo de quando e onde estamos.


O leite que azeda, o café que esfria, o presunto que cheira mal, são apenas uma das coisas que nos farão perceber que já não temos tempo, nem para o café da manhã, nem para nos alimentarmos.


Caminhamos, rumamos em longas pernadas, ao passo que já não cheiramos, não sentimos, não somos.


Mas por favor, sem preciosismos ou pensamentos frívolos, vamos logo! do contrário, chegaremos atrasado ao trabalho. Minha estação é essa.




Paco Valencia – Caminho

19 de maio de 2009



Seguindo como se pelo sertão
Amado ou não
sem saber o tempo de espera e o hão
Pelas ruas marchando
usando apenas como refrão
sua solidão
Amores dissolúveis
Velhas Histórias
Todas como chão
Seguindo com a mão no coração
e a outra em vão
Tendo apenas como certeza
Sua própria ilusão




Engrenagem

17 de março de 2009



A engrenagem segue à rodar.


Conheceremos centenas de lugares, distantes, frios, desérticos, fashions, campestres, urbanos, junkies ou simplesmente confortáveis.


Acima de tudo, conheceremos milhares de pessoas, psicopatas, falsos poetas, filósofos, empresários, operários, gente de bem, malandros, romancistas e quem sabe, entre tantas voltas e lugares, encontremos também, nômades ou os circenses do David Toscana.


Nos apaixonaremos incansavelmente por diversas destas pessoas e viveremos grandes histórias em muito destes lugares.


A engrenagem pode ser suja, desgastada e velha, mas quando verdadeira, sempre seguirá à rodar, voltando ao início de onde nós começamos.




Quizumba e sua marchinha

18 de fevereiro de 2009



Por um longo tempo viveu na ilusão de o tempo interagir com o espaço. Mas ele foi mais ligeiro. Viveu antes que o tempo acabasse e correu para aonde ainda havia espaço.


Ele e sua marchinha seguiram para aonde o tempo ainda sorria, onde o povo ainda cantava. Eram apenas a marchinha e sua amada que o interessava.


Logo se tornou ídolo continental. Compôs uma marchinha atrás da outra, hit pós-hit, amando cada vez mais sua amada, fazendo mais gente cantar, idolatrar.


Percorreu toda a América, até não haver mais espaço, até o tempo se esgotar.


Em uma dança sem lógica, diante de uma platéia mudo-falsa, se despediu.


Só lhe restando a amada e a cortina baixada.




Pedro – Corra

3 de fevereiro de 2009



Vá Pedro, já é tarde. Sabes que o metrô já não funciona nesse horário e que a rua torna-se muito mais perigosa.


Corra Pedro, pois ela já apagou as luzes da casa, foi deitar sem você. Adormeceu pensando no galã do folhetim. Sempre dormirá pensando em outros, em muitos, menos em você.


Pare Pedro, sempre se preocupando com aquela promoção que nunca vem. Contas sendo acumuladas e a tua vida passando, resumindo-se apenas á correr atrás do salário.


Teu filho cresce sem ter um pai presente. Não reconhece mais o moço do retrato na sala de estar, moço que anos atrás era você. Como você se acabou tão depressa ?! Mal reconhece o homem barbudo que chega sempre tarde do trabalho…


Quando chegar, abrace-o e o chame de “Meu filho”.


Corra, pois não há muito tempo.




O dono do céu

25 de janeiro de 2009



Ganhou o Mar em uma partida de bolinhas de gude. Foi uma aposta. Sempre temeu o Mar. É imenso, fundo e possui áreas em que o homem nunca mergulhou, dizia ele. Foi pra casa descontente com aquele prêmio. Porque não ganhou na aposta simplesmente uma pipa? ou a figurinha do Zico que tanto lhe faltava no álbum? Não conseguiu dormir, afinal, o que faria com o Mar?


Amanhecendo, procurou seu amigo Sebastião. Morava perto, na Rua das Chácaras. Sebastião, era o filho do corretor de imóveis, o único da cidade. Passaram o dia montando o anúncio, talhando e pintando uma placa de madeira, com os dizeres “Troca-se o Mar”.


Passou cerca de duas semanas e ninguém o procurou. Na manhã de quinta-feira, Sebastião foi até sua casa.


- Olha, olha, olha! Fiquei sabendo que o garoto do 522 deu o Céu e as Estrelas para a namorada!
- Sério? Palavra?
- Sim, sim! Não é o Céu que você quer?
- Sim! Apenas o Céu, as estrelas não vou querer! que deixem elas lá, afinal, muitas pessoas dependem delas para ilustrar seus sonhos.


15 minutos depois, os dois se encontravam no 522.


- A sua namorada esta disposta a trocar o Céu? Apenas o Céu, não quero as estrelas hein!
O garoto do 522 franziu a testa
- Eu pago o que você quiser! Tenho o Mar! Posso trocar!
Não entendendo nada, o garoto apenas disse…
- Tá, tá fique com o Céu, ele é todo seu, mas agora saia do meu jardim.


Os dois saíram correndo dali e nunca mais se soube algo sobre o dono do Céu. Contam que certa vez, alugou o Céu para um rico fazendeiro poder usar seu aero-plano. Por quanto? 300.000 cruzeiros.


Mas o dinheiro nunca foi visto, tampouco, o aeroplano. Porém, todos sabiam que o céu ainda pertencia à ele, pois azul, era sua cor favorita.




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