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outubro 25, 2009 @ 15:09

Trabalhadores



Os poetas e pensadores mais sinceros, podem ser encontrados facilmente tarde da noite nas ruas ou nos ônibus, voltando para suas casas depois de mais um dia de trabalho.


Quietos e com os olhares calados, carregam consigo todos os questionamentos de nossa sociedade, que está ocupada demais com futilidades para enxergá-los.


Não há canetas que expressem o que eles estão sentindo e pensando. São trabalhadores que cansados, esperam seus minutos de folga para descansarem e acordarem para mais um dia de trabalho.


Não ouse pertubá-los, esses minutos na volta pra casa são os únicos minutos que eles possuem para refletir e sentir que ainda são seres humanos e não máquinas.

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outubro 15, 2009 @ 15:27

Bendito sea

Que venga la Copa Sudáfrica!

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outubro 5, 2009 @ 15:56

Formigas



Ao longo do dia, perdemos centenas de chances de conhecermos novas pessoas, de ao menos ouvi-las. Perdemos a oportunidade de mudar a vida destas pessoas ou de elas mudarem as nossas.


Presos em nossa rotina e ao nosso mundo limitado, perdemos a oportunidade de simplesmente olharmos a janela ou conhecer os milhares de lugares desenhados no mapa Mundi, lugares que acabaremos morrendo sem conhecer.


É tão difícil enxergarmos quanto estamos presos ? Cego é o que somos e livres é o que pensamos ser.


A vida segue a passar e as pessoas apenas a se cruzar. Sem conhecermos a história de quem nós cruzamos nem o céu que olhamos.


Marchamos, mas não como sonhadores e humanos. Marchamos como formigas operárias, em que o destino se resume à apenas trabalhar/estudar em pró de uma colônia, sem nos importarmos com quem está ao nosso lado.


Torrar dinheiro é nossa sina e acumular Capital o nosso destino, pois é com isso que a colônia se importa, apenas isso.

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setembro 22, 2009 @ 15:58

Fantasia



Mesmo estando sempre entre verdadeiras alegorias, não mudamos nossas vidas como um simples trocar de fantasias.


A vida apesar de durar muitos anos, não oferece tempo para que possamos cambiá-la diversas vezes, perpetuando a mesma, até o nosso fim. Sem a possibilidade de repararmos erros passados ou optar por diferentes planos.


Deveríamos ser como atores, rejuvenescendo o pai doente, nos tornando pilotos de avião, nos tornando fazendeiros, mudar de cidade a cada quinze dias, tudo isso com a facilidade de um personagem, em um piscar de olhos.


Quando crianças, sonhávamos ser e fazer tantas coisas! Mas no final, acabamos não sendo e não tendo nada.


A vida é longa, mas nós a tornamos resumida e breve, não passando de uma simples fantasia.

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junho 26, 2009 @ 15:37

Acidente



Sou lançado à 150 metros. Com meu rosto colado no granulado do asfalto, enfim conheço a sensação de ser atropelado por um carro à 90KM. No chão, vai-se tudo. Não importa o estado de seus sapatos ou seu próprio estado.


Aqui com a cara no piche, tenha a impressão que a cidade desacelera, as pessoas ficam devagar ao meu redor e os carros também, como se quisessem descobrir minha identidade ou saber se é alguém conhecido.


Me sinto importante com meu feito. Consegui parar os dois sentidos da Av. Ibirapuera atrasando centenas de vidas que passariam por este cruzamento em plena manhã.


Mas a sensação é passageira, logo lembro que não porto documentos e que simplesmente sou um corpo largado naquele chão, sem identificação e que muitas pessoas podem estar praguejando contra mim neste momento.


Em fração de segundos sou socorrido e levado ao hospital mais próximo da região. Penso em o que meus familiares pensarão e sentirão ao receberem a notícia (se receberem).


Mas não passo de mais um entre os cerca de 80 paulistanos que são atropelados diariamente nas ruas da metrópole.


Todavia, fui o único que escolheu uma terça-feira às 8:13 para me atirar na frente de um carro, me sinto tão especial…como no romance de Clarice Lispector.

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maio 31, 2009 @ 15:48

Trem



Muitos aqui não sabem com o que se depararão na volta para casa.


Os que não tiveram tempo de se despedir da mãe, poderão não encontrá-la mais com vida.


O cachorro que tanto late morrerá, uma vez que com a pressa, esquecerão de alimentá-lo, assim como os peixes do aquário que passarão à boiar ao invés de nadar.


Sem ter tempo de assistir ou ler o periódico, perderemos a noção dos acontecimentos, se perdendo de quando e onde estamos.


O leite que azeda, o café que esfria, o presunto que cheira mal, são apenas uma das coisas que nos farão perceber que já não temos tempo, nem para o café da manhã, nem para nos alimentarmos.


Caminhamos, rumamos em longas pernadas, ao passo que já não cheiramos, não sentimos, não somos.


Mas por favor, sem preciosismos ou pensamentos frívolos, vamos logo! do contrário, chegaremos atrasado ao trabalho. Minha estação é essa.

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